[Postando diretamente do trem da Trenitalia, que vai de Veneza a Firenze (Florença). Marido está fotografando tudo pelo caminho, enquanto eu estou aqui desabafando, pra chegar feliz em Florença. A seguir virá um post com tudo que há de bom em Veneza.]
(Fotos do trem virão em Update)
Não posso negar que Veneza é linda. Belíssima. E acho que impossível de ser entendida se não for in loco. Mas foi exatamente aqui que se deram as nossas minhas maiores decepções.
Se o estereótipo do Francês é “o que não fala inglês e é mal educado” e o do Inglês é “frio, distante e não ajuda”, o do Italiano é “boa gente, bonachão e sorridente”, TODOS estão completamente equivocados. Ao menos na nossa experiência, foram exatamente o contrário disso. Em Paris todos a quem nos dirigimos, ao perceberem que não éramos franceses, já iam logo falando em inglês. Na Inglaterra, as pessoas ajudavam sem ao menos pedirmos ajuda. E na Itália… (até aqui, em Veneza) digo seguramente: Não encontramos UMA pessoa gentil e delicada, ou pronta a dar informações. E falo de pessoas que estavam sendo PAGAS para nos servirem: motoristas de ônibus, vendedores de passagens, “pilotos” de vaporetto, garçons, etc. Todos extremamente rudes e grosseiros. #ProntoFalei.
Saber a direção do vaporetto, ou pra que lado fica a Piazza San Marco, era a mesma coisa que saber pra que lado era a muralha da China.
Além disso, Veneza é absolutamente sem informações. Se em Londres, Paris e Liverpool os mapas eram variados e de graça, aqui só recebemos uma miniatura, no hotel (e nem foi Albergue!)e se quiséssemos um mais completo era necessário comprar (mínimo de 4,50 euros). Ficamos com o minúsculo.
E os “roubos”? Primeiro, pagamos 10 euros de taxi da estação Mestre para o Hotel (Nuova Locanda Belvedere) de onde voltamos A PÉ em 5 minutos. Depois, colocamos 10 euros de crédito no celular, e o carinha da Tabacaria errou o número, alguém recebeu 10 euros sem esperar, por nossa conta. Depois colocamos novamente 10 euros, e a operadora ROUBOU 8 euros sem qualquer explicação. Num minuto tínhamos crédito de 10, no seguinte apenas 2. #FiqueiRetada.
Mais “roubos”: 1,50 pra usar um sanitário público (e paguei duas vezes, sim, eu sou mijona e bebi muuuuita água!).

A pizza que comemos na noite de chegada foi maravilhosa. Grande, deliciosa e barata. Mas as massas seguintes… Deuzemais! Caras, poucas e ruins. Pense numa lasanha TOSCA? Fina, pequena, sem gosto e SEM QUEIJO por 6 euros!!! E a coca, que no mercado compramos por 0,49 a latinha e 0,90 a garrafa de 500ml, pagamos 4 euros no Marco Polo, junto com um pingo de spaghetti à bolognesa.
No restaurante em que jantamos na segunda noite, quiseram cobrar 3,10 por uma coca, quando no cardápio estava marcando 1,80. E depois que mostramos o erro, a garçonete fechou a cara e não respondeu nem ao “bonna sera” final.
O slogan das Casas Bahia “Quer pagar quanto???” era ouvido a todo instante, porque afinal de contas, Veneza é um grande mercado a céu aberto (e dentro d’água). Milhões de barraquinhas no grande “calçadão” à margem do Grande Canale, e os africanos e indianos vendendo bolsas Gucci, YSL e afins (correndo do rapa) não podiam ouvir que “está caro” que perguntavam: “Quanto vale? Quer pagar quanto?” Aff, irritante. Especialmente quando você não está pra fazer compras, e pergunta apenas por curiosidade.
Olha só: Sandálias “Havana” – falsificação grosseira das nossas Havaianas – o grande patrimônio brasileiro na Europa – e ainda com uma bandeirinha do Brasil!!!

Fomos a Murano, um dos meus desejos mais antigos, que era ver os artistas do vidro. Mas outra grosseria: “No photo, no film”. E marido completava: “No olho, no compro!” (No fim encontramos um senhor muito fofo, que permitiu as fotos, e tinha um pratinho com dinheiro, indicando que deveríamos deixar algo em troca de olhar, fotografar e filmar. Dei dois euros, sem pena.
E tem o capítulo sobre nos perdermos perto do hotel. Rodamos a esmo pelo “centro” de Veneza, sabendo que estávamos explorando a região, sem muita preocupação de como voltar, pois em qualquer ponto podíamos pegar o vaporetto e voltar para a Piazzele Roma e de lá, “pra casa”. Mas do hotel para a Pizzaria Capri, que era “solo avantti e a destra”… hahahah nos perdemos feio, na primeira noite (lá pelas 23h, sem um pé de gente na rua). Achamos a pizzaria por milagre, já que um policial disse não saber, pois estava trabalhando aqui há pouco tempo (e era praticamente defronte!) e uma garçonete japinha mal educada só disse “avantti”, e virou a cara). Depois de rodarmos feito perus tontos e ouvirmos o “canto da sereia” de uma fonte luminosa que nos tirou do caminho… achamos a Pizzaria Capri e comemos uma das pizzas mais gostosa das nossas vidas. E pra voltar? Outra sessão de perdição! (Nos perdemos 5 ou 87 vezes na ida e 18 ou 42 vezes na volta). Na noite seguinte, achamos que sabíamos o caminho, e fomos de novo. Nos perdemos 149 ou 525 vezes E NÃO ACHAMOS A CAPRI!!! Ficamos no “El Cuoco Pazzo”, que serviu a pior lasanha da minha vida, já citada acima.

Chegamos no hotel mortos de cansados, mas nem com todos esses entreveros perdemos o bom humor. Tive uma daquelas crises de riso enquanto estávamos perdidos tentando voltar pra casa, e pensei que ia morrer de tanto rir. Tiramos fotos dos nomes das ruas por onde passamos, e uma delas deveria ser nosso nome: “F. de Mula”, porque não aprendemos o caminho de jeito algum.
Bom, tudo de ruim foi isso. E foi pouco, mas pra quem estava tendo uma viagem de sonhos até então… pareceu muita coisa.
A seguir virão dois posts sobre Veneza: Informações Úteis e Veneza e o Dolce Far Niente.